MAIS PÁGINAS DO DIÁRIO DO MARCELO NOS EUA

Segue mais um relato do jovem brasileiro Marcelo Suartz, que está estudando na Webber International University e aperfeiçoando seu Boliche com a Kegel.

“Aqui estou mais uma vez na terra onde levam a sério o nosso esporte e, por incrível que pareça, no meu segundo ano de faculdade, conhecido como sophomore year.

Quem diria, já faz mais de um ano que estou na correria pelos meus objetivos, e este ano está mais corrido que nunca. Não é fácil conciliar três empregos, aulas, estudo, academia e treino quase todos os dias. Sei que o esforço vai ser recompensado no futuro, o trabalho é de longo prazo e não de curto prazo, como diz meu técnico.

Enfim, chegando de férias do Brasil, bem sucedido nos torneios que andei jogando no Brasil, porém com muitas coisas para trabalhar no meu jogo, fui para Porto Rico. Como já aprendi que tudo na vida tem um porque e nada acontece por acaso, sei que o que passei em Porto Rico. O Panamericano deste ano foi altamente necessário e muito proveitoso.

Em uma maneira seca e rápida: objetivo não conquistado, performance abaixo do esperado.

Você já estipulou certas expectativas para um torneio, chegou para jogar, e não obteve os resultados que queria obter? Sim, tenho certeza que você já fez isso. Pois então, isso foi o que se passou comigo.

Não joguei mal em Porto Rico, muitas pessoas ligam o jogar bem com 220 de média ou o ganhar medalha. Diria que, jogar bem e dar o seu máximo, se sentir bem e executar bem. E mesmo fazendo isso tudo, pode ser que o resultado não venha, por diversos motivos, como não ter uma trajetória em que você consiga margem de área e que renda bem.

A diferença é realmente brutal para um jogador que esteja jogando fácil, podendo errar 2 ou 3 tábuas no break point e, quando erra, spares fáceis predominam, enquanto que por outro lado um jogador que não tenha margem, mesmo que acerte o pocket, muitas das vezes não consegue strike e, as vezes que erra spares difíceis e splits predominam.

Já ouviram falar dos 5 ajustes (bola, seta, saque, velocidade e loft)?

Quando a bola não ajuda, é realmente complicado fazer funcionar tentando mudar os outros itens.

Enfim, aprendizagem para uma próxima vez, mais conhecida como experiência! Fui embora de Porto Rico por incrível que pareça com um sentimento bom, sabendo que estava bem, confiante e feliz de estar onde estou. Com o pensamento de, se algum dia quisermos ganhar um titulo importante em time, precisamos agir como tal, e este agir como tal hum demorei um ano para entender o que significa jogar em time.

Enfim, chegando de novo em Babson Park, sabia que uma semana intensa de concentração e treinamentos me esperava, afinal íamos jogar o nosso primeiro torneio da temporada em Milwaukee, Wisconsin.

Todo começo de temporada vem aquela ansiedade… objetivos e expectativas são estipulados… e… pois bem, este ano comecei com uma forma de pensar diferente. O título mais importante da temporada é o tão almejado Nationals e o melhor título individual é o de melhor jogador universitário do ano, ambos muito difíceis.

Descobri que devo pensar somente no meu time, jogar em time, dar o máximo para ajudar os meus companheiros sem se importar comigo, com o resultado individual do Marcelo Suartz. Por incrível que pareça a melhor forma de ter um ótimo desempenho individual é ser um ótimo jogador de equipe.

Tive uma participação excelente, ajudando frame a frame o meu time, penso que foi devido a minha confiança que trouxe de Porto Rico, fui o melhor do time, jogando todas as 9 linhas individuais e terminando em 20º lugar de quase 250 homens, com 211 de média.

Uma coisa engraçada foi que algumas pessoas zombaram de mim quando tentei fazer o approach com 3 passos, jogando à frente do retorno, no óleo longo em Porto Rico, somente pelo fato de não ter funcionado lá, por alguns motivos que identifiquei. Pois bem, em Milwaukee neste torneio, nosso time inteiro, sem exceção jogou com 3 passos à frente do retorno, na pista da direita quando o óleo já estava bastante aberto, inclusive eu e, por ironia do destino, fui muito bem sucedido.

Para jogarmos no mais alto nível possível, precisamos ter certas coisas na nossa mente bem claras. Muitas vezes não podemos nos importar com comentários dos outros, pois sempre vão ter pessoas que não querem o seu bem, com ciúmes e com energia negativa. Devemos ser fortes o suficiente para não deixar isso nos afetar, acreditar que você é capaz de conquistar qualquer coisa.

Pouco tempo atrás assisti dia a dia o USA OPEN de tênis feminino, e me chamou muito atenção uma garota de 17 anos de idade ganhar da número 4 do ranking e também da gloriosa Maria Sharapova. Ela quase chegou às semifinais do torneio. Numa entrevista que realmente me despertou uma vontade extra de conquistar meus objetivos, ela havia escrito em seu tênis a palavra “Believe”, ou seja, acredite em você mesmo! Ela acreditou que iria conseguir, mesmo que até então nunca ninguém na idade dela tinha derrotado jogadores tão boas quanto as adversárias que ela derrotou, e nunca ninguém tinha chegado àquela posição na idade dela. Ela é um exemplo para mim, me motivou e daqui pra frente essa palavra estará em todos os meus pensamentos nos meus próximos torneios.

Uma pequena dica para os jogadores que gostam e defendem a idéia de jogar spare com bola de plástico. Algumas semanas atrás, um dos meus técnicos, Del Warren, me contou o que um dos melhores jogadores de boliche da atualidade (Norm Duke) disse para ele. Duke passou a fazer spares com sua bola reativa (primeira bola) e o resultado final em toda temporada foi 500 pinos a mais que as outras temporadas, isso somente nos spares convertidos.

Você deve estar se perguntando o porquê disso, pois o objetivo básico das bolas de plástico é fazer spare. É que muitas vezes jogamos com a bola de plástico nos pinos 6-10 e nos pinos 4-7, e o que conhecemos de poft vem à tona. A tendência da bola de spare é seguir reto e não fazer curva, por isso acabamos fazendo poft no pino 6 para a figura 6-10 e poft no pino 4 para a figura 4-7. Jogando com a bola reativa quase reta, com um pouco de backup nos pinos 6-10 e com um pouco de curva para os pinos 4-7 seria a melhor opção conforme Duke ensina. Claro que para quem é canhoto tem que fazer o inverso.

Isso faz sentido inclusive em torneios com óleos muito seletivos, como são os torneios de boliche universitários, onde são permitidos usar até 5 bolas, 1 bola a mais seria uma opção que faz muita diferença.

Para você ter uma idéia, em um torneio profissional o Chris Barnes chega a levar de 15 a 20 bolas, para jogar uma semana no mesmo óleo. Na maioria das vezes ele usa 8 a 9 bolas, somente um torneio na temporada passada ele usou 15 bolas. Ou seja, será que material faz diferença?

No fim de semana seguinte, nos íamos jogar nosso segundo torneio da temporada em Orlando, não tão importante quanto o primeiro torneio, mais ainda sim importante porque valia pontos para o ranking geral.

Graças a Deus, tive uma performance muito boa novamente, ajudando bastante meu time a ser campeão do torneio. Fechando a fase individual com 207 de média em terceiro lugar, numa condição de 42 pés de óleo, porém correndo pista com mulheres, o que dificultou tanto para nós quanto para elas, pois são trilhas totalmente opostas, enfim uma meleca desafiante.

Estou muito feliz onde estou. Realmente é incrível ver a diferença e a evolução que tive, comparando com um ano atrás, no início da minha faculdade e da Kegel. Fiquei mais versátil e com maior velocidade de bola (sempre foi algo que precisava trabalhar). Numa sexta-feira fiz dois CATS, e consegui finalmente manter minha velocidade constante em 19 milhas por hora, quando um ano atrás estava 17,5.

Sem falar no que considero mais importante na minha evolução, a atitude! Quanta diferença! Eu e o Javier da minha equipe fomos elogiados semana passada pelo meu técnico, pela nossa melhora na atitude, que estava proporcionando ao time fazer esta boa temporada, coisas que na temporada passada nós não conseguíamos.

Outra coisa muito interessante foi o que um psicólogo nos disse em uma reunião com todos os atletas da faculdade: sobre a diferença entre um time bom e um time ótimo. Ele comentou sobre o Tiger Woods. Porque o Tiger é o melhor jogador disparado da historia do golfe? Preparação! Ele é o único que simula os batimentos cardíacos nos treinos da mesma forma que nas competições. Por exemplo: enquanto os outros batem 50 a 100 bolas parados no mesmo lugar, ele bate 10, pára, busca todas as bolas e bate mais 10 e repete o processo. Por que disso? Porque em competição ele vai bater 1 bola e vai andar andar e andar até chegar no ponto da próxima batida, mudando a sua freqüência cardíaca e comportamento do corpo.

Preparação = Alta performance.

Uma frase que meu técnico fala sempre: “Quando você perde, fale pouco, quando você ganha, fale menos ainda.” O caráter é fundamental para alcançar seus objetivos, tanto no esporte quanto na vida. Ter humildade sempre, tentando alcançar a excelência, nunca a perfeição.

Até agora muitas coisas boas aconteceram pra mim e tenho certeza que continuará a acontecer se continuar me esforçando, tanto nos treinamentos no boliche, na preparação na academia, nos meus trabalhos e principalmente nas aulas e nos estudos, sempre ajudando os outros o máximo que puder.

Os meus sonhos vão aos poucos sendo realizados, little by little, graças aos meus pais e minha família, que sempre me apoiaram.

Para o próximo ano estou esperando a decisão da CBBOL sobre a eliminatória do Panamericano 2011. Espero sinceramente que não façam como na eliminatória do último Pan, com 10 torneios durante o ano todo. Se fizerem assim, não estarão pensando no melhor para o Brasil, pois dessa forma só iria favorecer quem tem condições financeiras para viajar tanto.  Tenho certeza que muitas pessoas gostariam de participar desse Panamericano, temos que dar chance a todos e que os melhores naquele momento representem o nosso país, do mesmo jeito que os melhores na época representaram o nosso país no último Panamericano.

Uma eliminatória parecida com fazem nos Estados Unidos, México, Colômbia ou Venezuela seria o mais plausível. Em um mês ou menos decidem as vagas para o Pan, através de torneios com muitas linhas e com 4 ou 5 diferentes passagens de óleo. Por exemplo, nos Estados Unidos a eliminatória acontece todos os anos em cinco dias: no primeiro dia é a prática oficial de 4 óleos diferentes, no segundo dia é óleo curto (34 pés), no terceiro óleo médio (38 pés), no quarto óleo longo (42 pés) e no quinto dia óleo super longo (48 pés). Cada dia com 8 linhas, 32 linhas no total. Os 4 melhores se classificam para a seleção norte-americana, se não me engano com algumas decisões técnicas. Em apenas cinco dias eles decidem a seleção que irá representar durante um ano os Estados Unidos.

Aí surgem as perguntas: mas se caso o jogador que se classificar relaxar durante o ano e não se dedicar em treinos, competições para ganhar experiência e melhorar? A USBC faz os selecionados assinarem um contrato de treinamento constante, para melhorar as performances individuais. Quem ainda não leu o material sobre a Lynda Barnes, que inclusive esteve na Kegel ontem e antes de ontem, vale a pena ler, pois ela não irá representar mais a equipe dos Estados Unidos, depois de anos e anos defendendo o país. Principalmente devido a razões e prioridades pessoais, mas ela ressalta que quando está na seleção tem a obrigação e o compromisso com a USBC para treinar e se manter em ritmo de jogo durante o ano todo, dessa forma quando for chamada para disputar um torneio, ela deve estar pronta.

Por outro lado, jogando de forma avulsa, Lynda poderá treinar quando quiser e se dedicar o quanto quiser. Ela declara que vai continuar jogando os torneios profissionais do Tour feminino, mas desta vez colocando a quantidade de treinamento e dedicação conforme as prioridades pessoais.

Sinceramente penso que já não cola mais a idéia do Brasil não chegar nem perto dos Estados Unidos, que não podemos fazer o que eles fazem, e blá´blá-blá. Qual o problema de fazer a classificação para o time nacional em uma semana intensa de partidas, óleos difíceis e desafios? Tenho certeza que irá jogar somente quem demonstra interesse em defender o boliche brasileiro e tem objetivos claros de conquista internacional, que no caso é uma minoria no boliche brasileiro.

Enfim, já escrevi bastante, preciso estudar. Espero poder contribuir cada vez mais e mais com a evolução do boliche brasileiro. Eu amo esse esporte e realmente acredito que o Brasil possa disputar cara a cara com os profissionais, como muitas pessoas acham os PBAs de outro mundo, que fazem isso pra viver e são imbatíveis. Pergunte para aquela menina de 17 anos no US OPEN de tênis se antes da partida contra a número 4 do ranking mundial ela estava pensando que as profissionais eram imbatíveis. Eles são pessoas como nós, de carne e osso, podemos ganhar deles com preparação e dedicação.

Tenham uma boa noite e bons treinos!

Abraços,

Marcelo Suartz”

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10 Respostas para “MAIS PÁGINAS DO DIÁRIO DO MARCELO NOS EUA

  1. Marcelo, parabéns, escreveu bonito! Abraço

  2. Pedrão Xavier, legal o que escreveu, parabéns e muito sucesso aí pra vc para Sthepanie.
    Grande abraço!

  3. Marcelinho,

    Com já tive a oportunidade de morar fora do país, tenho plena idéia da barra que é ter todas essas responsabilidades que tens hoje em dia, no que diz respeito a 3 trabalhos, estudo e etc, e por isso posso dizer com propriedade… “FORÇA E ÂNIMO, SEMPRE, AMIGO!”
    Continue perseverando, pois tenho certeza de que alcançará muito mais do que almeja.

    Como já disse algumas vezes, faço votos de que você conquiste todos seus objetivos, e que Deus esteja sempre presente em sua vida iluminando seu caminho!

    Parabéns pelo caráter e profissionalismo, e muitíssimo obrigado por nos dar a oportunidade de compartilhar suas experiências com todos os demais brasileiros amantes desse esporte, assim como nós dois!
    É sempre bom receber notícias suas.

    Um forte e enérgico abraço para você amigo,
    Bruno Amaro

    PS: Parabéns também a toda família Suartz, pelo apoio, desenvolvimento e incentivo ao filho que, demonstra continuar recebendo até hoje, muito amor e educação exemplar.
    Grande beijo a todos.

  4. Ailton Santos

    Obrigado pelos relatos, Marcelo, concordo com algumas coisas, em parte comos outras. Mas continue sempre, assim poderemos aprender um pouco mais. Aproveite cada minuto.
    Abraços
    Ps: estou utilizando muito o que ensinou, ao longo do tempo serei um jogador melhor, obrigado amigo.

  5. Vou só repetir o que o colega escreveu…
    parabéns por tudo e “Parabéns também a toda família Suartz, pelo apoio, desenvolvimento e incentivo ao filho que, demonstra continuar recebendo até hoje, muito amor e educação exemplar.”

  6. Ademir Medina

    Marcelo, muito boa a matéria. Só uma ressalva quanto aos seus elogios e do Javier sobre “atitude”. Nos dias atuais, a melhor performance em matéria de contratação de um profissional, em qualquer área, sem exceção, é levar em conta a formação acadêmica, o conhecimento básico sobre a área que atuará e a terceira e a mais importante é o lado atitudinal, que no passado sequer era lembrado nas áreas de seleção.
    O que você se orgulha de estar mudando para melhor (atitude) e notado até pelo seu técnico e amigos se chama “maturidade”. Você hoje, prematuramente ou não, passou a decidir sozinho aí nos EUA, como deve se comportar, como e quanto confiar no seu felling, no seu modo de ser e humildemente está colhendo aos poucos seus frutos, com muita dedicação e empenho. Mantenha esta firmeza de propósito, já te comentei isso, que você vai muito mais longe.
    Porque você é “sangue bom” e também merece.
    Um grande afago do Tio que também se orgulha aqui de longe.
    Ademir

  7. Marcelo, leio todos os seus diários, que na realidade esta servindo como um aprendizado fora do comum. Sua humildade e um valor que ninguém vai tirar.
    Seus pais estão de parabéns pelo filho dedicado que tem e respeitador, com certeza você é um orgulho para eles.
    Vá em frente em sua meta e sucesso….
    Ivan Braga

  8. Marcelo Suartz

    Obrigado à todos pelo suporte, graças a vocês e principalmente à minha família eu estou onde estou.
    Abraços e boa sorte à todos os amigos,
    Marcelo Suartz

  9. Ehhhh Marcelão, maravilha garoto, você nos enche de orgulho.
    Sempre digo que sua melhor qualidade é a humildade, isso te faz crescer sempre e receber grandes recompensas.
    Concordo com você sobre o sistema de eliminatória nos USA, creio que devemos copiar quem faz melhor e montar realmente o melhor time.
    Parabéns, sucesso !!!
    e believe !!!!

  10. Geraldo Couto

    Dividir suas experiências de vida e de Boliche com toda a comunidade mostra seu caráter, e que o aprendizado está lhe ensinando a ter humildade suficiente de sempre aprender mais.
    Parabéns pela coragem de relatar .
    O E.C.Pinheiros tem orgulho de voce usar nossa camisa.

    grande abraço

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