RAONI DIPOLD: BOLICHE DE ALTO RENDIMENTO

Raoni

Olá a todos do Boliche Online.

Escrevo a vocês, a pedido do Bira Teodoro, sobre o trabalho que estou desenvolvendo junto com o Raoni Dipold. Mas, antes, vou me apresentar, já que não sou conhecido no meio do boliche.

Meu nome é Humberto do Prado, tenho 36  anos e há doze anos trabalho com atletas dos mais variados esportes, atletas olímpicos ou atletas não olímpicos que visem chegar ao topo do esporte, seja a nível profissional ou Amador.

Antes de iniciar este trabalho, fui 5 vezes campeão brasileiro, diversas vezes recordista brasileiro, algumas vezes recordista sulamericano, como atleta e como organizador, e uma vez recordista Mundial dentro do esporte paraquedismo.

Então, após anos de pesquisa no desenvolvimento humano dentro do esporte, iniciei o meu trabalho com atletas de outros esportes.

Um dos primeiros trabalhos fora do paraquedismo foi com a atleta Patrícia Fiori que veio a mim pedindo um auxilio para se tornar campeã brasileira de laço a novilho, isto há 12 anos e, pra resumir, hoje ela é Tri-campeã brasileira da modalidade. 

Até hoje já treinei mais de 500 atletas nos mais variados esportes, mas voltemos ao trabalho dentro do boliche.

Trabalhei há algum tempo atrás com o Rodrigo Hermes e Fábio Rezende, um trabalho voltado para os jogos panamericanos do Rio 2007, e esse trabalho era a construção de um time campeão. E, em paralelo, um trabalho pessoal com o Rodrigo Hermes voltado pra uma melhora da sua performance.

Esse trabalho foi gratificante, porque trabalhei com dois atletas do mais alto nível deste esporte maravilhoso, e ainda mais gratificante quando os dois trouxeram a primeira medalha de prata em jogos panamericanos.

Nesse período, o Raoni era o meu furador de bola, sim, jogo boliche, mas isto é outra estória. Então, numa das nossas conversas, percebi que ele tinha uma vontade grande de se tornar um jogador profissional.

Iniciamos um trabalho voltado para este propósito. No começo desenvolvemos um plano de ação pra criar meios com os quais ele tivesse condições de jogar como atleta já que, naquele momento, trabalhava com o boliche e ser atleta era uma coisa secundária.

Hoje já mudamos isso, e ele está totalmente focado para se tornar um atleta de ponta. Dentro deste novo objetivo, já conseguimos apoio fundamental para esta nova fase, como o de equipamentos do proshop Resbowling e apoio de local de treinamento no Bowl In Jaguaré.

É um trabalho em longo prazo e ainda estamos muito longe do objetivo final, porém já estamos colhendo frutos desta pequena jornada.

Na Taça Morumbi Fernando Rezende nosso objetivo era montar mais uma peça de um quebra-cabeça complexo. Fomos para esta Taça com a cabeça voltada para o nosso objetivo como time, nosso trabalho em longo prazo.

Tínhamos algumas metas dentro desse torneio. Primeiro, seria instituir dentro do nosso dia a dia no campeonato, um sistema usado pelo Airspeed (7 vezes campeões mundiais de paraquedismo), time no qual trabalhei por 5 anos e fui campeão mundial em 2002 como parte do time, no setor de logística. Eu dobrava todos os pára-quedas do time, função de alta confiança, feita sempre por um excelente atleta paraquedista, porque todo o time tem que ter uma cabeça altamente positiva e voltada pra competição.

É um sistema simples e efetivo, mas pouco usado no meio esportivo. O sistema pedal, em inglês PADL, cujas siglas significam Plan, Action, Debrief, Learning. Traduzindo: Planejamento, Ação, Análise, Aprendizado.

Basicamente, existem pequenos pedais e grandes pedais. Nos pequenos, por exemplo, está o arremesso: planeja-se o que vai fazer, faz-se o arremesso, analisa o que aconteceu, aprende e planeja o próximo.

Os pedais maiores podem ser um dia inteiro ou o campeonato inteiro.

Isto se mostrou muito valioso, como mostram os números na tabela abaixo, com um aumento  no percentual de strikes em mais de 30 por cento, e o aumento geral da media de pontos em 20 por cento.

Durante a semana, após o campeonato, analisamos os resultados do trabalho e tiramos as lições sobre aquele para uma melhora contínua, e isto, no caso do boliche ou qualquer outro esporte, não se restringe à tática de pista, óleo e etc… vai muito além disso.

Pode-se ver na tabela que nos primeiros três dias do campeonato, o Raoni batia sempre abaixo de 190 na primeira linha, e no último dia bateu 258. Isto foi analisado nos dois primeiros dias, aplicado um plano diferente no terceiro dia, e aprimorado no quarto dia, quando deu um excelente resultado.

Este PADL não é aplicado pela maioria dos atletas de alto nível em vários esportes e, por isso, os erros são cometidos novamente.

É um processo um pouco tedioso, pela disciplina que tem que ter, mas, ao final da competição, ao invés de relaxar, você analisa o dia inteiro e a competição só termina após o debriefing, porém gera uma satisfação muito grande quando você constata a evolução.

A maior frustração entre os atletas é quando eles se encontram num ponto onde não identificam o motivo da estagnação do resultado pontual ou da estagnação técnica.

Já trabalhei com executivos desenvolvendo este trabalho e o resultado é rápido. Lembro-me que com algumas conversas, usando este PADL, com um executivo de um dos maiores bancos da América Latina, brasileiro, melhorou sua performance com uma análise minuciosa pra achar aonde e como poderia repetir sua melhor performance.

E assim, repetindo os acertos pode melhorar ainda mais o seu sistema pessoal, melhorando seu desempenho.

Outro objetivo dentro dessa competição, com o Raoni, era melhorar a atitude do atleta em relação à competição. Realizar o campeonato com uma mentalidade mais profissional, acreditando que um brasileiro pode chegar na PBA (Professional Bowling Association), se desde já demonstrar seriedade no trabalho de longo prazo.

Com esta nova visão, o Raoni demonstrou uma alegria muito grande jogando, aprendeu muito e se renova para atingir horizontes mais distantes.

Analisando esta melhora interna que refletiu na externa (pontos), saimos de lá campeões, não da Taça Morumbi, mas do nosso campeonato interno, pessoal e do time.

Agradeço o apoio de todos que viram o nosso trabalho com olhos de pessoas visionárias e principalmente de brasileiros que vão sentir orgulho em ver um brasileiro tendo sucesso na PBA, e saibam, desde já, que cada um de vocês contribuiu para que este trabalho seja realizado com sucesso.

Abraço a todos.

Humberto do Prado

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