PARA SER CAMPEÃO BRASILEIRO DE BOLICHE, ATLETAS ARREMESSAM QUASE 4 TONELADAS

A brincadeira de fim de semana com os amigos às vezes pode deixar o seu ombro doendo, mas não reclame. Para ser campeão brasileiro, um atleta brasileiro tem de fazer até 540 arremessos, somando quase 4 toneladas de bolas na pista.

A conta é da própria Confederação Brasileira de Boliche (CBBol), que organizou a edição 2011 do Brasileiro de Boliche no último fim de semana. Na categoria principal, com cada bola pesando cerca de 7 quilos, os interessados no título têm de jogar 24 partidas divididas em três dias na primeira fase.

Em cada uma delas, o atleta pode arremessar até 20 bolas. Na etapa final, são mais três partidas, com a mesma extensão. Então o desafio para Roberta Rodrigues e William Hideki, campeões no domingo, foi grande, não? Nem tanto.

“Mas você sabe que para a gente não faz tanta diferença? Com a técnica, você usa a gravidade a seu favor e não faz tanto esforço”, disse Márcio Vieira, integrante da seleção brasileira de boliche que vai aos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, em outubro.

Veja personagens e curiosidades do Brasileiro de boliche abaixo:

Atleta do Pan quase entrega vaga
Marizete Scheer vai ao Pan de Guadalajara, mas está desempregada desde fevereiro.

“Eu cheguei a falar com a Stephanie [também atleta da seleção] e a nossa coordenadora, mas elas me convenceram a seguir jogando”, disse Marizete.

Hoje, ela já recebe o Bolsa-Atleta do Governo Federal e treina no boliche de Márcio Vieira, seu companheiro de seleção, no Rio de Janeiro.

Não foi ao Pan, mas vai aos EUA
Roberta Rodrigues era considerada a favorita para uma das duas vagas brasileiras no Pan. Não conseguiu a paassagem, mas agora vai se dedicar ainda mais ao boliche.

“Fiquei bem triste, mas foi ali que eu decidi que eu ia. Já tinha propostas e resolvi aceitar, assim consigo estudar também”, disse Roberta, que vai fazer universidade em Maryland, onde treinará boliche com os melhores técnicos.

Quase 60 anos, muitos deles no boliche. Cristina Muelas, advogada, já foi ao Pan de 1995, segue em atividade e hoje é campeã sênior das Américas. A “Tininha” também briga forte no Brasileiro Adulto.

O jornalista Marcio Menezes, editor de esportes do A Tarde, na Bahia, deixou a redação para competir em São Paulo. Em alguma emergência, no entanto, tem de correr para o avião e voltar ao jornal.

Esporte é tão caro que nem fazem a conta
Cada atleta tem de ter a sua bola, com peso e diâmetro dos furos para os dedos adequados. Uma nova custa cerca de R$ 500, valor que tira o sono dos jogadores, que precisam de pelo menos oito para competirem.

“Eu sou da seleção desde 1989. O que eu gastei nesse tempo é um absurdo. Se eu fizer a conta eu vou parar de competir”, disse Márcio Vieira, que não é o único que reclama da conta.

“Uma vez eu coloquei no papel e percebi que eu gastava praticamente um carro 0 km por ano entre competir e treinar”, disse Cristina Muelas.

Federação tem presidente-dentista
Como toda entidade esportiva sem muito recurso no Brasil, a CBBol atua com certa dose de improviso. Geraldo de Oliveira Couto é o presidente, mas se divide com a profissão de dentista.

“Não, hoje estou organizando”, respondia o cartola, com a roupa branca de “doutor”, aos que perguntavam se ele jogaria o Brasileiro.

Sua assistência jurídica é responsabilidade da mãe de um dos jogadores, que trabalha voluntariamente, assim como o responsável pelo marketing.

Notícia publicada no site UOL Pan 2011 (clique aqui e veja o original)

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