BOLICHE É LEVADO A SÉRIO NOS JOGOS PAN-AMERICANOS

Vinculado à diversão no Brasil, boliche é levado a sério no Pan

Competidores e público têm de ficar atentos o tempo todo ao placar para conseguir acompanhar as partidas.

(por Adriana Brum, enviada especial a Guadalajara)

Na entrada, o nome do lugar, Bolerama Tapatío, é grafado em um luminoso de neon. Em seguida, chega-se à área de cafés e lanchonete. Indícios de que o local de provas do boliche nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara – uma das principais disputadas da modalidade que ainda não é esporte olimpíco – é, antes de tudo, um lugar de diversão.

Mas não foram brincadeira os quatro dias disputa das quatro medalhas de ouro, em que 64 competidores concorreram ao pódio. Uma delas, para o Brasil, com o bronze de Marcelo Suartz.

Brasileiro Marcelo Suartz, bronze no Pan: vinculado à diversão no Brasil, boliche exige atenção extrema em competições oficiais

A seriedade dos atletas estendia-se ao público, atento às 40 pistas em que a bolas eram seguidamente lançadas contra os pinos. “É muito rápido. E eles ficam fazendo as contas dos pontos juntos conosco”, diz o engenheiro e integrante da equipe brasileira Márcio Vieira, um dos melhores no esporte do país.

Durante as partidas, é impossível tentar conversar com quem comprou ingressos para assistir. A cada tentativa, a resposta é um silencioso apontar de dedo ou para a tela que marca o andamento das jogadas ou para a pista. Clima totalmente profissional, apesar de boa parte dos competidores ser amadora.

“A Stephanie [Martins, paulista de 20 anos, da equipe feminina] e o Marcelo [campeão sul-americano] não vivem do esporte, mas conseguiram que o boliche lhes oferecesse formação profissional”, conta Márcio. Os dois têm bolsas estudantis para competir por universidades de um dos poucos lugares em que o boliche se joga profissionalmente: os Estados Unidos.

“O Marcelo pediu para não dar entrevista agora. Está concentrado!”, conta a paranaense Marizete Scheer, 37 anos, que completa o quarteto do Brasil enquanto o paulista disputava as oitavas. Valeu o esforço: ficou com o bronze. Durante os jogos, diz Marizete, amadores e profissionais adotam o mesmo comportamento. Depois da partida, também: trocam os semblantes fechados por sorrisos e é comum ver um atleta parabenizando um jogador de outro país por determinado strike.

“O que muda é a estratégia. Treinamos cerca de duas horas diárias, testando qual a melhor bola e o melhor lançamento para cada jogada. Mesmo quando vou jogar com meus amigos, por lazer, fico observando”, diz Marizete. Há seis meses, trabalhava em uma casa de boliche de Belo Horizonte. “Mas fechou. Agora, estou desempregada e conto com os amigos para ficar no Rio, onde posso treinar”, fala.

Nas duplas, os norte-americanos venceram tanto no masculino quanto no feminino. Márcio e Marcelo ficaram em 4º e Marizete e Stephanie, em 10º. No individual, as brasileiras foram até as quartas de final, Márcio caiu nas eliminatórias.

(original publicado no site Gazeta do Povo)

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