POR QUE O ÓLEO MUDA? BENÊ VILLA RESPONDE.

Artigo original de Benê Villa publicado no site Boliche Online.

O meu artigo anterior terminou com o parágrafo que vou iniciar este: Em muitos campeonatos já ouvi jogador dizer que mudaram o óleo de um dia para o outro ou que ajeitaram o óleo para favorecer este ou aquele competidor. O que ele não percebe e que o problema muitas vezes esta na sua própria bola, e que a mesma não esta reagindo igual ao dia anterior por vários fatores. Principalmente, por ele não ter trabalhado a superfície da bola depois do turno jogado. É evidente que no dia seguinte a bola não vai reagir da mesma forma. Se ele está jogando num óleo pesado a bola vai absorver muito óleo e perderá aderência,  no dia seguinte o óleo vai parecer mais longo e mais pesado. Se estiver jogando num óleo curto a bola vai tracionar mais e o óleo curto vai parecer mais curto ainda.

Outro elemento importante para o dia seguinte é saber quem jogará no mesmo par de pistas que você e quem estará jogando à sua direita. A reação do óleo certamente será diferente dependendo da região, tipo de bolas e superfícies que os outros jogadores estão usando no seu par de pistas e nas pistas à sua direita.

Por exemplo: hoje jogaram no mesmo par de pistas que você os girudos mais inside (usando mais o meio de pista) com bolas de médio desempenho ou superfície polida, amanhã jogadores com um jogo mais frontal  jogando outside (usando da zona de track para fora) com bolas de alto desempenho e superfície forte. O óleo jamais vai se comportar da mesma maneira, até porque características de jogos diferentes, regiões, superfícies de bolas diferentes ocasionam reação do óleo diferente.

Horário dos jogos também é fator de interferência no comportamento do óleo. Vejamos: você joga hoje no horário da manhã em um boliche de 24 pistas, nesse horário a temperatura externa do boliche é mais fresca e, conseqüentemente, dentro do boliche também vai estar mais fresco. Estão no boliche os jogadores do turno, dois garçons e alguns poucos familiares de jogadores. A quantidade de pessoas vai determinar temperatura ambiente e a umidade relativa do ar. À medida que vai se aproximando o final do seu turno, vão chegando os jogadores para o segundo turno mais os familiares, alguns curiosos e mais gente trabalhando no atendimento. Já estamos falando em mais que o dobro de pessoas. Do lado de fora do boliche a temperatura subiu alguns graus (já passa do meio dia) o teto do boliche esta muito mais quente e conseqüentemente a temperatura ambiente e a umidade relativa não são as mesmas.

Somando todos esses fatores o óleo não se comporta igual cada dia em cada turno. Reze para não chover e para que não haja grandes mudanças climáticas…

Outra coisa que poucos levam em consideração é como são usadas no dia a dia as pistas do boliche onde haverá a competição. Hoje, você jogou do lado esquerdo do boliche onde normalmente não se joga bolotes, torneios e ligas. Então, estas pistas terão um track diferente das pistas do lado direito do boliche onde acontecem jogos de liga e bolotes duas vezes por semana. Provavelmente as pistas da direita, estarão com um track diferente causado pelos jogadores e pelas bolas reativas e serão mais lentas ou  com mais arremate. Isto ocorre por serem condicionadas, lavadas e usadas de forma diferente das do outro lado do boliche. Em pistas onde o uso é de público ocasional as pistas têm mais desgaste no meio de pista e pouco track na zona de arremate. Em pistas onde jogam federados tem maior desgaste  a direita da pista e mais track na zona de arremate causado pelas bolas de superfície mais agressivas.

Outro ponto importante: a cada dia de competição as pistas vão ficando com o arremate mais limpo, isto porque no dia a dia dos boliches o condicionamento e limpeza das pistas não são feitos da mesma forma que nos dias de competições.

O que muda de um boliche para outro? Temperatura, umidade, superfície (tipo de sintético), ano de fabricação e fabricante, condições de uso (limpeza e manutenção) maquina de óleo modelo e marca tipo de óleo mais ou menos viscoso. Se o boliche é usado freqüentemente para competições ou não, topografia (relevo). Parece exagero, mas a topografia tem fundamental influência na reação da bola.

Contarei um “causo”… Pan-Americano de Porto Rico 2009, Márcio Vieira faz um arremesso e ficam os pinos 4 e7, ele se posiciona corretamente para jogar o spare, a bola cruza a pista e… “poff”… só cai o pino 4. Como assim? Jogando na diagonal com bola de spare, saque forward. Detalhe: óleo longo. Não poderia ter dado “poff” nunca… mas deu!  A bola chegou aos pinos como se ele tivesse jogadobackup, havia um desnível muito importante na pista. O desnível é imperceptível a olho nu, mas a bola sempre sentirá o relevo da pista. Neste caso você pode imaginar a diferença que havia de uma pista para outra e de um par para outro.

É por todos estes fatores que é muito improvável obtermos o mesmo resultado de condicionamento, inclusive se usarmos a mesma máquina com o mesmo programa e o mesmo óleo em boliches diferentes. Invariavelmente o condicionamento será diferente. Desta forma a probabilidade de ter que usar  ou mudar a superfície do seu  equipamento para um suposto mesmo óleo, também é real.

Estes são alguns pontos importantes que o jogador deve levar em conta para tentar entender porque o óleo não está igual todos os dias de competição. Tem outros fatores que muitas vezes são confundidos com mudança de óleo, pontos que são as variações de estado físico do jogador e estado emocional. Mas isso também e assunto para outro dia.

“Mantenha o olho na seta e na bola”

Benê Villa

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14 Respostas para “POR QUE O ÓLEO MUDA? BENÊ VILLA RESPONDE.

  1. Além de todos estes fatores, por aqui ainda temos o “Armandinho”. Hehehheheh!

  2. Benê sou seu Fã!!!
    Não sei se consigo por em prática mas, pelo menos, entendi algumas coisas que os que se julgam “os bão” reclamam sem razão em maior parte das vezes rsrsrs

    • Douglas,
      A intenção dos artigos é esclarecer alguns pontos para aqueles que tem a humildade para aprender…
      Obrigado pelo comentário.
      Abrazo

  3. Impressionante, que mesmo o Benê passando em linguajar simples e preciso, mostrando que entende do assunto o suficiente para poder escrever a respeito, ainda assim, as jocosidades acontecem. Só um detalhe: é bom para o boliche, ter um BENÊ por perto.
    Obrigado, amigo!

    • Amigo Celso,
      Como sempre muito atento e amável para comigo…
      Obrigado pelos comentários
      Abrazo grande

  4. Muda também porque temos alguns boliches no Brasil que algumas pistas literalmente lixam as bolas.

    • Décio,
      Obrigado pelo comentário.
      É um texto simples e básico nos detalhes, que muita gente não tem a menor idéia e fica falando abobrinhas.
      A intenção é dar mais informação de uma maneira mais simples…
      espero ter atingido o objetivo.
      Abrazo

  5. Eu sou o Rodrigo e tenho 15 anos. Jogo no estilo two handed delivery,
    meu pai é o Edimar Marques do Mato Grosso do Sul, somos de Dourados.
    Queria saber qual bola que eu devo jogar?
    A minha bola é de 15 libras e a outra é de 13.
    Qual é o peso da bola que eu devo jogar?

  6. Rodrigo, fico muito feliz em saber que você está jogando Two Handed…
    Na minha opinião é o futuro do boliche…
    Nos meus recentes trabalhos de Two Handed no Peru, começamos a fazer experimentos com bolas mais leves e obtivemos resultados acima do esperado…
    Com uma bola mais leve você aumenta sensivelmente a velocidade e as revoluções: os pontos fortes do two handed…
    Jogue com bola mais leve!!! Com bola mais pesada a tendência é baixar a velocidade obrigando você a usar bolas de média performance ou diagramações de furação mais comportadas…
    Com bolas mais leves você pode usar bolas de alta performance sem problemas.
    Boa sorte Rodrigo…
    Um grande abrazo pro meu amigo Edimar!!!

  7. Benê
    Maravilha de matéria, parabéns!!
    Acho que seria bom se pudesse falar também sobre tipos de bola e suas caracteristicas e como escolher o equipamento correto para cada tipo de condicionamento, pois tenho certeza que muita gente não tem esse conhecimento. Abraço amigo e feliz 2012.
    Paulão – Cuiabá

  8. Leão Lourenço

    Caro Amigo Benê
    Gosto muito de ler seus artigos, pena que no boliche temos poucos “Benês”.
    É pena que conheço muito pouco da parte técnica, só sei basicamente jogar a bola e “rezar” pros pinos cairem.
    No último sábado quando estávamos treinando lá no Planet e você chegou, o Freire, o Valdecir e o Medina estavam comentando que o tipo de jogo que estou fazendo agora me penaliza pouco em relação a abrir “Split”. É um jogo simplesinho mas eu gosto, afinal cai bastante pinos e até onde eu sei, a finalidade é esta. Se eu tivesse uns 15 a 20 anos e tivesse começando a jogar boliche, te digo que com certeza, daria muito mais importância à parte técnica, pena que o tempo não volta.
    Quanto ao início da sua matéria onde você fala em ajeitar o “óleo”, bom, infelizmente isso acontece e eu já presenciei. Quando em um dia é oleo curto, 36 pés e no dia seguinte passa para 42 com o meio carregado porque no dia anterior os cobras bateram média de 150/170 e era preciso fazer alguma coisa pra calar os mesmos. Bom, dessas coisas não estamos livres e sempre vão acontecer em todos os esportes. A lei dos mais fortes.
    Forte abraço, um 2012 maravilhoso e continue escrevendo suas matérias, quem sabe, com o tempo aprendo alguma coisa (se bem que burro (Leão) velho não aprende truque novo).

    • Querido Leão,
      Obrigado pelos comentários…
      Nunca é tarde para aprender nem que seja só um pouco…
      Grande abrazo

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