UMA FINAL DE BOLICHE NUMA AVENIDA EM NEVADA, POR DÉCIO ABREU

2012 BOWLING’S U.S. WOMEN’S OPEN
(realizado sobre os arcos do Reno, Nevada, Estados Unidos)

As semifinais, realizadas no Bowling stadium, com entrada grátis, não reuniram tanto público como esperado. Realmente o boliche vive dias difíceis, entre os poucos espectadores e diretores, muitos senior citzens.

A destacar no último dia das semi, a buscada da segunda colocação da Missy Parkin com um 279 na última linha.

Dia das finais – As pistas montadas em tempo recorde na rua, em frente ao tradicional arco da cidade de Reno. Muita gente, mas pouca visibilidade para o público sem direito a credencial. A salvação foi um edifício garagem ao lado das pistas.

Pela primeira vez, tinha um prêmio de US$ 1 milhão para a jogadora que batesse 300 nas finais. Mas o vento estava muito forte, além do tumulto de pessoas em volta se movimentando, querendo ver o jogo, já tranquilizou um pouco os patrocinadores.

As pistas estavam mudando rapidamente durante o aquecimento, muita poeira se acumulando e se misturando ao óleo. Em closes das câmeras podia-se notar a enorme trilha que se formava. Além disto, estava escurecendo, afetando bastante a visão das jogadoras.

Isto acarretou inúmeras fritadas de pinos isolados e pouquíssimos strikes. Na primeira linha, as jogadoras ainda tentaram jogar com as bolas reativas, mas o placar dizia tudo: Linda 158 x Stefanie 166.

O’Keefe começou a segunda partida com a bola de spare, melhorou um pouco apesar da dificuldade dos spares, e o resultado foi a melhor linha das finais: O’Keefe 182 x Stefanie 165.

Anoiteceu, a temperatura caiu 4 graus, as duas optaram pelas bolas de plástico. Mesmo assim, o placar inacreditável, Parkin 150 x O’Keefe 148. Parkin se classificou para a s finais com 233 de média.

Durante a final, com pouquíssimos strikes e péssimo nivel de jogo, o narrador perguntou ao comentarista Chris Barnes se estava constrangedor para as jogadoras os escores tão baixos, já que a líder Kelly Kellick havia se classificado com 241 de média. Barnes respondeu que escores não importam, o que importa é vencer, o título, a premiação. Não pude deixar de me lembrar do Brasil com seus condicionamentos.

Na final, Kelly Kullick se tornou campeã do US Open pela terceira vez, a maior da era pro, somente superada pela lendária Marion Ludwig, que ganhou 8 vezes nos tempos pré jurássicos. Kullick 170 x Parkin 149.

Depois escreverei sobre as conversas que tive a respeito da queda do número de praticantes de boliche nos EUA.

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5 Respostas para “UMA FINAL DE BOLICHE NUMA AVENIDA EM NEVADA, POR DÉCIO ABREU

  1. Issa, lá vai. Tenho que fazer um rápido comentário, pois vou viajar hoje.

    Conversei com os editores do Bowlers Journal. Eles concordam que todos os esportes estão perdendo terreno para os computadores, home theaters, redes sociais. O golfe passa por momentos difíceis. Para minha surpresa, segundo eles, até o tênis tem perdido adeptos nos EUA.
    Parece que os jovens estão realmente viciados na internet e não conseguem se desligar nunca, nem durante uma partida de boliche ou tênis. O Bernardo acaba de entrar em minha sala digitando com os polegares em seu I phone. Somente depois de 3 minutos parou para me cumprimentar. E segue ligado. Mudança de hábitos. Este é um fator.
    Mas a queda do boliche começou antes desta mudança de hábito, ou do golfe e tênis. Tem um fator a mais.
    O esporte mudou, ficou bem diferente de quando fazia sucesso, e muito. As bolas reativas, as de uretano com miolo diferenciado realmente causaram dano ao esporte. Elas fazem muita diferença no impacto nos pinos, nos escores. E também mexiam demais no condicionamento antigo, Fazem trilhas rapídamente, etc. Por causa delas, mudou-se o condicionamento, a composição do óleo, a distribuição do óleo, pois no condicionamento tradicional os escores ficaram absurdos. O que aconteceu então?
    Começaram a colocar mais óleo, óleo com maior densidade, distribuição diferente, tudo para anular o poder das novas bolas. Mas nem sempre é possível.
    O boliche não é mais um jogo de skill, de habilidade, de pontaria, de precisão, mas um composto de fatores que não envolvem o desempenho do atleta somente. A bola certa na região certa pode valer 30 pinos de média no torneio. Isto afasta as pessoas, fica uma coisa sem graça de praticar ou mesmo assistir.
    Para as fábricas de bolas, inicialmente, foi um eldorado. Mas agora, até o número de bolas lançadas diminuiu. O número de bolas vendidas diminuiu sobremaneira, as vendas inicialmente fantásticas agora são números preocupantes. Foi como a fábula da galinha dos ovos de ouro. Agora, resta o amargo gosto do rumo perdido e das vendas em queda.
    Os jornalistas concordam que o caminho seria o USBC restringir o poder destas bolas, limitar coeficiente de atrito ou mesmo o formato dos miolos, mas não acreditam que isto acontecerá. Sabem que vários esportes limitam a evolução dos equipamentos para preservar a competitividade, mas não vêem como retroagir, Se por uma lado a USBC quer proteger o esporte, por outro as fábricas, que patrocinam a maioria dos eventos, etc, não concordam com este pensamento, ou melhor, acham que esta mudança acarretará uma possível retomada do esporte, com vendas futuras maiores, mas temem que inicialmente as vendas vão cair e afetar seus negócios. Realmente uma situação bem difícil.
    Infelizmente, uma situação com um diagnóstico que alguns não concordam, que muitos acham verdadeiro, mas sem solução visível.
    Eu, pessoalmente, concordo inteiramente, mas não tenho como ignorar o temor das fábricas de equipamentos e o receio da USBC de perder seus patrocinadores. Vejo a Formula 1 hoje com interesse mesmo sem o Senna, porque as corridas são emocionantes, não são mais aquela coisa monótona de mostrar somente o Schumacher e sua Ferrari todo o tempo isolado na frente. A limitação que a FIA impõe no uso de equipamentos nos carros trouxe de volta a emoção que o combate de habilidades dos pilotos proporciona, acabou aquela coisa chata que o carro ganhava sozinho. O boliche precisa deste retorno, de ser um esporte que o jogador seja a diferença, não o equipamento.
    Abs

  2. Décio
    Algumas vezes tenho concordado contigo, outras não. Vou me atrever a discordar de você e de alguns especialistas com quem você falou.

    Penso que o caso do boliche está menos para a Fórmula 1 e mais para a Kodak, Blockbuster, por aí.

    A gigante da fotografia reinou absoluta por décadas e, apesar de ser a primeira a lançar a câmera digital, menosprezou a velocidade da evolução tecnológica que acabou por destruí-la.

    O mesmo aconteceu com outro gigante multinacional, a Blockbuster, que menosprezou a distribuição de filmes pela internet.

    Então… Kodak, Blockbuster e Boliche tem isso em comum: a forte influência da internet nos negócios. Acredito que pouco, ou nada, adianta ir “contra” a internet.

    Tenho sólidas dúvidas que as bolas reativas foram as responsáveis pela decadência do boliche. Pra mim foi a falta de adaptação e acompanhamento aos novos tempos. Por exemplo, a Kodak conseguiu algum fôlego quando montou as revelações rápidas de drives com fotos. E a Blockbuster foi atropelada pela Netflix quando poderia ter feito essa opção bem antes, mas “achou” que ia demorar mais…

    O Boliche hoje pode ser jogado com certo realismo no Wii, tablets e smartphones… mas não creio que seja isto que afastou o pessoal do boliche.

    Exemplificando, para ficar mais claro: tem centro de boliche que não tem WiFi grátis (e com alta velocidade) para os clientes, tem até os que até proíbem o uso de tomadas para carregar celulares e notebooks. Tem muito boliche fora das redes sociais, a maioria tem “pisteiro” só para colocar os nomes dos clientes nos monitores, ao invés de serem treinados para dar 3 ou 4 dicas básicas do jogo (já falei certa vez que nos eventos de “minigolfe” que promovi nos shoppings, tinha uma pista só de “treino”, onde o jogador recebia instruções básicas para “jogar minigolfe”), no Boliche, que requer mais habilidade, ainda não vi isso…

    Por mais sofisticado que seja o jogo virtual de boliche ele jamais vai substituir o prazer e a alegria de jogar boliche REALMENTE. A diferença é que os clientes de hoje, querem compartilhar fotos, vídeos e comentários ONLINE, acompanhar os campeonatos pela internet, blogs, sites, redes sociais, etc. E quem não se adaptar a isso vai ter o mesmo fim que a Kodak, Blockbuster, Xerox, Singer, Olivetti, etc.

  3. E, pode ser uma parte da historia, ou uma face da moeda. Sobre isto, tenho duas considerações:

    – a decadência do boliche veio antes da internet, coincidência ou não junto com as bolas que jogam sozinhas, sonho de todo jogador. Quem já furou bolas para terceiros sabe: todos querem uma bola que jogue sozinha. E, agora que se conseguiu, acabou a graça.

    – Os jogadores de liga, maiores divulgadores do boliche, responsáveis por novos adeptos – todos sabem, quando o programa é legal, chamam os amigos – começaram a achar que o boliche estava complicado demais, frustrante. Já escrevi aqui, os jogadores que sempre sustentaram qualquer esporte, são os amadores, que jogam por lazer e torcem pelos craques. O jogador mediano nos EUA tinha média de 165. Os craques, 190, mas com handicap tinha jogo. Num dia bom, um médio podia até ganhar dum craque num dia ruim.

    Mas o jogo mudou. E quem não treina, quem não tem 8 bolas e não sabe como usá-las, ficou sem a menor chance de competir. Acresce que, com os patterns novos, até o spare ficou difícil para o jogador médio, que sustentava o esporte, que convidava amigos, que se divertia uma vez por semana em sua liga. E este cara começou a se afastar, parou de convidar amigos e o boliche começou a micar antes da internet ou do Wii.

    Lembro que o boca a boca sempre foi o maior atrativo do boliche, seja nos EUA ou no Brasil. Sem nenhuma propaganda, o boliche cresceu até os 60s e 70s. Mesmo com a TV com bons horários e o pro tour em alta, inclusive feminino, a partir dos 90s começou a cair. É só ver onde esta o divisor de águas.

    Hoje o boliche parece a piada do alfaiate ruim, que pedia ao cliente para ir se contorcendo para se ajustar aos defeitos do terno malfeito. O boliche coloca remendos para esconder os problemas gerados pelas bolas que jogam sozinhas. Cria-se um novo óleo. Depois, novos patterns. Novas maquinas de óleo e limpeza. Novas dificuldades para contrabalançar as novas bolas. E vai-se ladeira abaixo, mata-se o jogador que sempre foi o responsável pelo sucesso do boliche, o jogador médio.

    Quando um dos meus filhos era pequeno e parecia um reizinho, mimado, eu disse pra Helena: para que ele aprenda, deixa ele falando sozinho, rei sem súditos não é rei. No boliche, vemos a mesma coisa. Temos os reis, os jogadores de ponta, mas os súditos sumiram. Ou melhor, não apareceram novos súditos e os antigos envelheceram. E assim nos EUA e no Brasil. E agora, quem vai fazer o trabalho duro, dar sustentação para que a nobreza reine?

    Nossa casa tem facebook, twitter, promoções, sempre disse para nossos instrutores que deveriam dar dicas aos clientes para que eles tomassem gosto e um dia fossem alunos, tipo amostra de amendoim em bar. Estamos instalando sistema de filmagem nas pistas para festas. Tudo isto tem dado retorno. O difícil mesmo é o número de atletas crescer. Também, não é pra menos. Se liberamos o condicionamento, os ponteiros fazem 215, e o médio 170. Se dificultamos, é um ranger de dentes geral. Até os médios reclamam… Com as bolas novas, não tem meio termo. Como sair desta?

    Já escrevi aqui. Acho que foi o Petraglia, há dez anos, que sugeriu que se limitasse o peso das bolas em 12 libras ou que se aumentasse o peso dos pinos. Ele, antes da internet, IPhone, Wii já tinha enxergado o problema, tinha que limitar a influência do equipamento no jogo. Mas, como disse antes, agora fica impossível retroagir.

    Abraços

    • Décio

      Ainda tenho minhas dúvidas se os grandes responsáveis pelo baixíssimo número de federados no Brasil é por conta de bolas reativas e condicionamentos de pistas.

      Penso que a administração improvisada, dirigentes incompetentes e falta de planejamento são as causas principais da baixa filiação e da quase inexistente renovação no esporte Boliche.

      Quanto ao público em geral (fonte dos futuros federados e atletas de alto rendimento) creio que é por conta das condições econômicas mesmo. Basta pegar o salário médio dos frequentadores de uma casa de boliche, fazer as contas e verá que simplesmente não “sobra” dinheiro pro lazer “contínuo”. E aí que entra a maior falha das nossas instituições, não fazem e nunca fizeram um planejamento global, visando superar essas dificuldades do iniciante. E olha que não é cobrando R$ 5,00 de mensalidade que se resolve isso, porque se assim fosse estaríamos com milhares de filiados.

    • Décio

      Mais informações e comentários:

      Na revista Bowling Industry deste mês tem uma interessante matéria comparando os problemas do Boliche com os do Golfe. É uma extensa reportagem, mas vou destacar alguns pontos. Fizeram uma pesquisa na qual os entrevistados disseram porque eles não estavam mais jogando golfe. As respostas mais comuns foram: “É muito caro”, “Uma partida de golfe dura muito tempo”, “É um jogo difícil e acho que é frustrante“. Alguma semelhança com o boliche? Se as bolas reativas tornaram o jogo mais fácil é quase certo que o tornaram, também, “menos frustrante”, né?

      Também concluíram que deve-se facilitar o treinamento das pessoas que praticam o golfe (boliche).

      Achei curioso como encerraram um dos artigos: o articulista disse que não vê os centros de boliche receber o cliente logo na entrada com um “Oi, como vai, tudo bom?”, cumprimentá-lo com um “Seja bem-vindo a nossa casa. O que você precisa? Posso ajudá-lo?”. Tem casa de boliche que você percebe que o cliente está “perdido” assim que entra no ambiente, que ele não sabe prá onde ir (num restaurante é comum ser atendido logo na entrada), não sabe que tem que trocar os sapatos (nem o porquê). Eu acrescento que a maioria dos funcionários e dos já “iniciados” no esporte boliche nem disfarçam a “suposta superioridade” sobre o “público ignorante”. É muito comum os “federados” até se incomodarem com a curiosidade e a proximidade de presença desse “público”, quando deveriam fazer exatamente o contrário.

      Papo que segue, como diria o Barthô.

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